Tuesday, January 12, 2010

O mar enrola na areia... e vice-versa.














Comecemos pela arte de ser um ser. Continuemos pela maneira de estar estando. Voltemos as costas às dores doendo. Alimente-mo-nos de pão e água, e de pequenas amoras silvestres que colhemos do chão.

Mostremos ao céu que ele está lá para nos proteger, e revoguemos as lembranças de um passado tão recente que deixou de ser lembrança. Um presente tão sofrido que já devia ser passado. E um futuro tão incerto como o tempo que faz para amanhã.

Saberás sempre por onde ir e nunca vais encontrar o caminho que querias. Saberás sempre como agir e nunca terás a sorte de o ser. Mas continuando de pé, chegaste ao mar, e nele não te banhas por teres frio.

Águas geladas. Noites quentes. Correntes emaranhadas. Pessoas. Diligentes.

Mar revolto em ondas encrespadas. Ventos cortantes com areias pegadas. Chuva que caí de um céu iluminado. A trovoada é paga por um qualquer santo que se arma em parvo.

E logo surge de entre as nuvens e a agonia. Uma doce dança e uma estranha alegria. Um poderoso amargo de tão doce que é, e não ficas parado, muito menos de pé.
Mas como em toda a noite a seguir surge o dia. O tempo acaba e com ele a euforia. Dá-se lugar à tensão e a ansiedade, e não vês a hora de voltar para a cidade. Voltar para a agitação e para o reboliço. Para o mar azul onde me perco no calor do pacífico e no azul manto que nos cobre.


www.myspace.com/milesbassoon