
Desisti da minha pesquisa por falta de tempo e por ser dispensável à mensagem que procuro transmitir.
Hoje deparei-me com um filme fora do comum. Um filme tão estranho quanto a reacção das pessoas que o foram ver quando saíram da sala. Nunca antes em toda a minha vida tinha ouvido falar de uma sala de cinema ter sido abandonada sem que uma palavra fosse dita pelos espectadores. O ambiente que se criou em torno do filme foi tão intenso que ninguém conseguiu sequer continuar o tom de brincadeira e de descontracção com que todos fomos assistir. Provavelmente, esperançados, tal como o nome indicava, que se tratasse de um filme cheio de sustos e de muitas partes de cortar a respiração como tão bem nos tinha inspirado a palavra exorcismo. Pois bem, a palavra estava lá, acção e os sustos foram alguns, mas o final foi muito mais potente do que qualquer outro filme. O simples facto de se basear em factos reais choca-nos, pois o mito do filme passa a ganhar características reais, deste mundo em que vivemos, deste planeta que habitamos. De repente estamos a pensar em coisas que há muito dávamos por certas e a dúvida de que a sua importância para a nossa vida era insignificante começa a mudar de plano. No fundo dá-se uma alteração de consciência perante a temática abordada. Talvez pela população estar à espera de uma coisa diferente ao que vinha à procura, talvez porque essa população estar relacionada com o quotidiano do espaço físico do filme, talvez por se querer negar os nossos medos que enterramos quando chegamos a adultos e que mais uma vez espreitam o nosso consciente.
Medo! Palavra curta tal como o seu significado, mas poderosa e brutal quando bem usada. Através do medo são possíveis coisas inimagináveis. Podemos matar uma pessoa só com um susto, podemos fazer parar os soluços, podemos dar cabo das nossas vidas não conseguir encarar os nossos medos. Encarar! Encarar pode ter vários significados do ponto de vista popular, quando conjugado com o medo. Encarar os nossos medos, por norma, é fazer-lhes frente, arranjar maneira dos vencer superando-os, acabando com as situações que nos provocam esses receios. Quando se tem medo do escuro, mostrasse que o escuro é a ausência de luz, e que tudo se mantém conforme quando temos luz. Truque engraçado, mas será mesmo assim?! E os mitos?! Por que razão nasceram os mitos de que o bicho papão vem do escuro, porque razão os morcegos, os vampiros, as criaturas maléficas, e todos aqueles que nos atormentaram durante a infância vêm à noite assombrar os nossos sonhos!? Ou será o contrário!? É por causa de os associarmos ao escuro que temos medo da noite!?
Uma coisa é certa, a nossa visão é reduzida. Um sentido a menos a capturar a nossa estabilidade e sobrevivência naquele meio. Isto leva-nos ao desconhecido. O receio do desconhecido é uma constante. Todos nós já vimos um episódio de X-Files e mesmo cheios de medo assistimos a cada pormenor e a cada cena de “suspense” sabendo que essa noite de sono seria extremamente difícil. O ser humano necessita disso. Explicar o que não se entende de uma forma lógica e racional. A ficção ajuda imenso, e através dela explicamos muitos fenómenos paranormais que se vêm na tv mas que nunca fizeram parte do nosso dia a dia. Mas se um dia fizessem!? No outro dia senti o sismo. A minha primeira preocupação foi arranjar uma explicação lógica para aquele abalo. Olhei para a rua e vi um carro a passar, e quando ele passou pelas lombas, que não estava a ver mas que presumi que o instante serial o mesmo, senti outro pequeno abalo de menores dimensões concluindo que o que senti anteriormente teria sido de um camião. Tudo teria sido ignorado pela minha mente não fosse nesse mesmo instante alguém ter recebido um telefonema sobre o sismo!
Tudo teria sido explicado racionalmente, e mesmo com uma outra explicação lógica, o facto é que fui o único a sentir aquela alteração do normal. Ninguém teria dado por aquele momento, pois não iria revela-lo. É estranho pensar que nem todos sentimos as coisas da mesmo forma, e que, o que para mim é sentido e avaliado como banal, é catalogado por outros por uma fórmula ou teoria diferente. A importância que dou a uma formiga não é a mesma que dá um biólogo, ou mesmo um papa-formigas.
Nada é inexplicável! Essa é uma premissa que há muito se vem a confirmar, mas as forças de que somos alvos nem todas são físicas ou químicas. Há coisas que nós não conhecemos, do ponto de vista da física, ou mesmo banalidades que a química explica e isola em laboratório, criando o mundo e a evolução natural de uma forma artificial manipulada. O Homem consegue manipular, convencer, distorcer! Consegue enganar o natural criando o mesmo que a Natureza. Consegue fazer ver à mente humana que o seu limite é infinito! O Homem criou o infinito para limitar as coisas que não tem limites, criou a plenitude para explicar o seu percurso, e deu nome de percurso à vida, que ele mesmo dividiu em anos, criando o tempo que ele mesmo incrimina de ser pouco para todos os seus desejos. O Homem criou, destruiu, voltou a criar para recompensar a destruição. O Homem viveu, morreu, mas deixou descendência. O Homem superou, mas manteve os seus medos fechados em si, no seu cérebro que apelidou de potencial, pois é infinito a sua capacidade, capacidade essa que é medível, criou padrões de capacidade e formas que ditam quem é mais desenvolvido dentro desses padrões! O Homem organizou o seu mundo em função das suas capacidades e limitou-as! E sempre que há alguém que foge aos limites, esse homem é um génio, ou um louco, isto é Newton v.s. Hitler! A evolução dá-se e a Humanidade toma posições! As nossas escolhas são o fruto de todos estes revolucionários que souberam manipular as mentes dos que os ajudaram a conquistar a sua posição. Tal como na Natureza animal, os grupos foram criados para que o mais forte domine o grupo. E nós vivemos num grande grupo que perdeu o seu líder à muito!
Procuramos por todo o lado a melhor forma estarmos na vida, pelo menos aqueles que não se sentem bem com o mundo em que estão. Outros sentam-se e esperam que tudo mude sem que nada seja feito, e esperam que o dinheiro, que tanto governa as mentes, nasça do chão, ou caia do céu como se de uma coisa da Natureza se tratasse! O homem é que o criou, só o homem o pode produzir!
Deste emaranhado de conceitos e de constatações, surge a analogia com o filme, onde a nossa crença é fortemente explorada, e onde as questões triviais são mais uma vez levantadas. A fé, a crença numa força divina, a protecção que nos é fornecida pela mesma em troca de um bom comportamento, tudo isso faz parte de uma parte do homem que não conseguimos entender nem explicar porque vai para além das nossas capacidades. O que leva um homem a matar e a amar, provavelmente, é o mesmo que o leva a ter de comer ou aquecer-se! Eu chamo-lhe estímulos! Aquecemos porque temos frio comemos porque temos fome, amamos porque estamos quimicamente relacionados, e matamos porque queremos ser superiores ou porque nos sentimos ameaçados. E acreditamos porque existem razões para acreditarmos! Temos esperança porque já um dia houve quem tivesse esse sentimento e o apelidou por esperança. Sentimos! Somos movidos por algo, vamos à procura porque sentimos necessidades. Somos nós que resolvemos e somos nós que problematizamos, ou será o contrário!? Ninguém sabe ao certo a origem, ninguém consegue explicar o porque, embora se saiba de que forma física e química se manifesta.
Talvez o cérebro seja muito mais desenvolvido agora e a tecnologia ajude a explicar muita coisa! Mas estaremos nós ainda à procura do que somos, ou estaremos nós a tentar sermos o que éramos? Seria melhor antigamente, ou o futuro mostrasse mais promissor!? Será que lá fora existem mesmo planetas e estrelas e tudo o que a ciência nos tem injectado, ou será só uns furinhos na caixa da criatura que nos cultivou fez para que nós fossemos iludidos!? Aqui tudo é estranhamente explicável e tudo faz sentido porque houve quem conseguisse calcular e delimitar as coisas de maneira a racionalizar os problemas. Mas como serão as coisas lá fora!? Como serão as coisas dentro da nossa mente!? Como seria se um dia nada tivesse acontecido!? Como seria se um dia o Homem não tivesse escrito a Bíblia, ou se um dia não chegassem mitos de um homem que abalou o sistema da Sociedade naqueles tempos!? Muitas coisas não sabemos sobre o nosso futuro, e mesmo com os avanços tecnológicos não conseguimos determinar correctamente como foi o nosso passado. A névoa temporal é uma constante. E só nos resta a presente. Só nos resta o fim de hoje que acaba com o início de amanhã. Sempre que há um fim há um começo que termina sempre com um fim. É a única regra que temos. A única certeza que há! A única esperança que não termina. Há sempre alguma coisa depois de tudo!Mesmo que seja um nada!
Acerca do filme, tentei procurar a sua veracidade e cheguei à conclusão que são partes separadas de locais muito diferentes que são juntas para embelezar e dar um caracter real à história, já que não há vestígios de uma santa que tenha sofrido possessões, e estigmatas existiram e existem vários. O exorcismo continua a praticar-se, por terras como o méxico, onde as pessoas são muito devotas, mas os seus contornos são muito distorcidos. O certo é que o Vaticano toma sempre muitas medidas perante essas situações! O código de Exorcismo foi atualizade 1999 e a sua última versão datava de 1614. Estranho saber que este tipo de alterações dão-se particularmente quando a igreja está em declinio! Mão de deus mão do homem!? Quem saberá! Cada um com a sua crença, cada um com a sua vontade de fazer o bem ou o mal! Cada um com a sua consequência! Ninguém saberá quem está certo ou errado, mas todos nós sentimos a dor do outro que tem a mesma carne que nós e que viramos as costas por ser diferente nas suas escolhas!

